A escolha da profissão, ou o que eu quero ser para o resto da vida

18:13 | domingo,05 | ago '18
 

Escrevi o texto abaixo como um manifesto à essa imposição que a sociedade coloca na gente quando precisamos fazer a escolha da profissão da vida, principalmente quando a gente é ainda tão novo, e publiquei no LinkedIn. O texto fez tanto sucesso que eu achei legal trazer ele para o nosso cantinho, assim mais gente consegue ter acesso à reflexão. Vamos pensar juntos? Me conta depois o que você achou 🙂

A escolha da profissão eterna?

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Quando eu tinha 17 anos, essa era a minha maior dor, a causa do meu maior sofrimento. Afinal de contas, que raio de profissão eu vou escolher para o resto da minha vida?

Fui uma adolescente extremamente atarefada: escola, teatro, ballet, voluntariado, aula de música, festinhas com os amigos, duas irmãs, cachorra, pai, mãe, primos, lição de casa, livros, joguinhos de lógica, jogos de tabuleiro, palavras cruzadas, bike, apresentações de dança, coral da igreja, mestre de cerimônia, ombro amigo, conselheira amorosa, cdf, líder de gincana, baliza da fanfarra, cantora de karaokê. Eu me envolvia com absolutamente tudo o que aparecida na minha frente.

Mas eu também sempre amei estudar. Eu ficava muito ansiosa para o início das aulas. Adorava ir para a escola e estudar, e estudava qualquer coisa. Eu não tinha “matéria preferida”, gostava de todas. Ia nas aulas de reforço e fazia todos os exercícios extras, provas de vestibulares anteriores, simplesmente porque eu gostava.

E quando fiz 16 anos começou a pressão. Em qual curso eu ia me inscrever no vestibular? Como escolher? Qual parâmetros usar? Além das matérias preferidas (que eu não tinha, mas ok), o que mais eu sabia do mundo que podia me ajudar? De acordo com as minha lembranças, até aquele momento, eu já tinha sonhado em ser engenheira da Nasa, executiva da Coca-Cola, escritora de livro, cantora de MPB, bióloga na área da genética, apresentadora de TV, advogada. Foi a decisão mais difícil que tive que tomar.

Um dia, alguém me disse que eu era muito comunicativa e simpática e que eu deveria prestar comunicação. Entre todas as possibilidades, escolhi relações públicas porque tinha lido uma reportagem sobre uma moça que era relações públicas na Coca-Cola. De repente, também me vi matriculada em um curso de ciências sociais. Passei. E entrei em um curso que eu não tinha a menor ideia do que era, a-me-nor-i-dei-a.

Me formei antropóloga, adorei o curso, mas nunca trabalhei na área. Estagiei em produção cultural e recursos humanos. Fui trainee gerencial e desenvolvi projetos nas áreas de marketing e finanças. Fui gerente de produto, gerente de marketing, viajante, blogueira, e hoje sou empreendedora… and counting! Sei que muita água ainda vai rolar por baixo dessa ponte. Vira e mexe, eu ainda me vejo cantando Marisa Monte em um barzinho, dando aula em faculdade, fazendo experimentos científicos.

Aos 17 anos eu tive que escolher o que eu queria para o resto da minha vida. Mas minha vida não aceitou essa escolha. Foi assim comigo e com mais uma galera que eu conheço. Não digo que os conhecimentos que adquiri não foram importantes. Foram, e muito! Eu, inclusive, faria o curso outra vez. Mas porque ele me deu base para explorar os mais diversos caminhos e não para me fechar em um só. Somos seres tão cheios de potencialidades, inteligências, tão lindamente complexos, que pra mim parece um crime a gente pressionar adolescentes a se resumirem em si mesmos em busca da profissão eterna. Até porque, nos dias de hoje, ela não existe!

Hoje, vejo adolescentes vítimas de muito estresse e burnout porque simplesmente precisam tomar uma decisão, precisam saber o que querem ser “pra sempre”, como se isso fosse possível. Pra sempre é muita coisa. Precisamos repensar essa obrigação. Simplesmente precisamos.

Veja aqui alguns relatos de estudantes que expandiram seus horizontes de mundo e fizeram intercâmbio com a Teraví <3

Pedro Antônio – intercâmbio em Brighton

Carlos Crespo – intercâmbio em Berlin

Lucas Moliterno – intercâmbio em Vancouver


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gap year intercâmbio profissão
 
 

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